21 de abril de 2010

Irmão,

se não tens gozado
nesse teu estado
suicídio-sem-morrer
então,
farol.

Se te espantam algumas palavras,
enuveie isso, meu irmão,
cada palavra é ostra sonolenta
caracol em fúria:
cada palavra é seu próprio desenho
E de suas sombras,
nascem outras tantas

Tu que se assustas com as sombras,
ondeie tudo isso,
que a escritura, a singradura,
elas tem pesos e fendas
lemeie tudo isso
e verás que elas, as palavras,
assim se fizeram para chocarem-se contra as pedras.
E se ainda te assustarem,
a doçura e a dureza
da navegação e da escrita,
então,
nó.

Tu, porto apagado
Tu, pirata que a espuma faz dançar
Tu, que se esconde no ângulo torto
que é teu corpo ereto contra o horizonte
Tu, que é tão áspero, tão térreo,
Se tens um convite de água e voz, se tens um canto que nada te promete,
Se surge a promessa de descaminho, destrilho, afogamento-pra-morrer,
então,
cais.

2 comentários:

Í.ta** disse...

versos esparsos em questão de dias, porém muito muito bem escritos. escrita lapidada, né não?

parabéns, véio!

Camila F. disse...

Lindo este poema, Eduardo!
Beijo