14 de maio de 2011

carta pra ti

nem tanto carta, mais pra bilhete.
estou passando por uma fase ruim. Mal componho uma lista de compras. Mas talvez não tenha dificuldade nessa carta, pois a carta, quando resposta, não vem do nada. é conversa no papel, ela parte de um primeiro dizer. geralmente, se aceita esse tom, escolhe-se um ritmo e se responde. ou não, posso ler tua carta por cima e mandar uma resposta que não é resposta, uma carta despreocupada, falando de outras coisas, respondendo a perguntas que você não fez: aí seriam dois papos concomitantes. muita coisa se perderia, né?. é controverso, mas me parece agradável, bobo, vivo.
certeza que este bilhete, já longo, virando carta, há de te pegar de surpresa. primeira vez que te escrevo carta, agora vc saberá o que há tempos sabem meus destinatários amigos: me perco nos escritos. sou preguiçoso, desorganizado para com conversas, cartas, promessas, combinados, apostas. Mas carta, graças, não tem validade. Demoro anos, mas respondo. Quando se atrasa, o papo se perde, é isso?
Sim, se perde. E quando vamos procurar, achamos outras coisas pra falar. Coisas que não acharíamos se houvéssemos respondido a carta de pronto. Aliás, carta e prontidão não combinam.
Queria te escrever para falar pelo meu amor por telegramas, mas estou meio ruim, como já disse. Guardo para outro dia.
Contento-me em te responder, esperando que receba esta com o carinho de quem a escreveu.
só agora digo o que queria dizer logo no início: agradeço tua atenção, tuas leituras. gostei muito de receber tua carta virtual, embora tenha demorado a responder (mas quanto à demora, creio que você compreenderá a explicação que lhe dei)

escrita à mão tem caído em desuso, nós sabemos.
nossas gavetas andam feias e tristes, repletas de canetas e papéis de bala,
pois não trocamos mais cartas. Em compensação, empanturram-se nossas caixas de email, nossos blogs, nossas redes de contRatos.

Nova função social dos bilhetes e das listas de compras: lembrar-nos que temos caligrafia.

Tão bonito desenhar letras. Como a gente se permite ficar batendo em botões o dia inteiro, como macaquinhos amestrados?
A, para a letra A.
B, para a letra B
CÙ, às vezes me desanimo, pois quase todo assunto cai nesses poços sem fim chamado "discussão sobre a passagem do tempo" ou "a velocidade da que a porra de nossa vida, carrosel pseudoselvagem, tomou tem tomado. (mas a vida é linda, não se esqueça disso)

mas onde eu estava?
céus, que bilhete mais longo. outra coisa que sabem meus destinatários: sempre me perco. sempre escrevo muito menos ou mais do que gostaria.
ah, tua carta não ficou nonsense, não.  muito clara e bonita. passa amor pela vida, como sempre.
aliás, não é só vc, tenho reparado isso em outros amigos. o que é ótimo, pra quem escreve e pra quem recebe.
hoje escrevo muito â mão? não,
pouquíssimo.
como tenho feito poucas limonadas ou ouvido pouco the pretenders.
a gente sabe mas não aprende, né? adoro controvérsias, oxímoros, balas de gomas com cara de docinhas mas enormemente azedas.

mas onde eu estava? acho que perdi de novo nesse escrito,  o que ótimo, maravilhoso, é meu eterno desobjetivo
te agradeço por isso,

2 comentários:

Lívia disse...

Sempre escrevi cartas quando era mais nova, nao escrevo mais cartas mas sempre escrevo a mão as outras coisas, adoro! =)

Aninha Kita disse...

Adorááável! *-*
Muito boa! Carta verdadeira é assim, orgânica, sentimental.

E essa ideia quase no finalzinho de "Eu sei, mas não devia"!? Muito boa.

Beijos, beijos!
(de uma apaixonada por cartas, mesmo virtuais) Ana