29 de novembro de 2009

os namorados

à Daia, meu poema preferido

ele sempre disse "és meu peixe predileto", "és o fruto mais alto que colhi na arvore da manhã", ou então, "és o meu pássaro". A tudo isso ela corava, maravilhada. Mas em seu coração, doía pensar que ela era um pássaro, um peixe, um fruto, algo tão submisso. Algo facilmente abatido. E devorado
quando ele falou pra ela "você é minha estrela, a estrela do meu céu" ela ficou feliz, achou bonito, mas no fundo achou pequeno ser tão-somente uma estrela, quando ele tinha todo o céu.
quando ele falou "és, o meu chão", ela sentiu orgulho de ser a sustentação dele. Mas, em seu coração, dormia uma tristeza. O chão é tão submisso. Pisado.
e ele foi falando, foi falando, ela foi corando e sorrindo e guardando.

um dia, um dia sem horas,
ele acordou pras palavras
acordou para ela,
e disse
sem ensaio, sem dicionário
disse porsissó, disse por dizer e amar

-- você é o meu poema preferido.

então, a menina
olhou firme, olhou mulher
lhe deu um beijo e o abraçou tentacularmente
pois ela sabia
que o poema se abraça ao poeta
e o faz afogar-se
em busca de um fim que nunca vem.





PS: esse texto é ficcional. nem tudo aqui tem realmente a ver comigo e com a daia. não confundam. Ouviram, senhores Robson e Ítalo? :D

4 comentários:

Escobar disse...

--'

Eduardo Silveira disse...

muahahha

(humm... escobar... adotou o novo nome, é?)

:D

Escobar disse...

fui no cartório e troquei :P
Sabe néah, depois que eu conseguir roubá-la de você (HAHAHA'
(Brink's)

:B

Eduardo Silveira disse...

:O :D ¬¬ .-. --