18 de fevereiro de 2012

Um poema de Jeffrey McDaniel

The quiet world, na tradução de Mauro Faccioni Filho
Catei da Revista Babel, nº 1.

Especialmente pra Samia Schiller, que tava afim de conhecer um poema novo.
Acho que já mostrei esse poema pra Roberta Bittencourt e ela não gostou.
Então se vc passar por aqui, Roberta, ignora, queridinha.
Acho que o Hobbyson R. dos Passos iria gostar desse tbém.

ó:

O MUNDO SILENCIOSO
num esforço para que as pessoas 
olhem mais nos olhos umas das outras, 
e também para satisfazer os mudos, 
o governo decidiu determinar 
para cada pessoa exatamente cento 
e sessenta e sete palavras por dia.
quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido 
sem dizer alô. no restaurante 
aponto para a canja de galinha.
estou me ajustando bem ao novo jeito. 
tenho estampas para todas as ocasiões. 
cada manhã invento uma nova frase 
que imprimo numa camiseta, 
como Os Seres Humanos Estão Vindo 
ou Karaokê Para Mudos.
tarde da noite, ligo para meu amor distante, 
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.
quando ela não responde 
sei que usou todas as suas palavras 
então sussurro lentamente eu amo você 
trinta e duas vezes e um terço. 
depois disso, ficamos junto à linha 
ouvindo um o respirar do outro.

15 de fevereiro de 2012

anibal cristobo

amei,

------


PUZZLE DE MONTANHAS CHINESAS
 
Uma chuva dispersa, disposta
no nonsense: sobre a alfombra
tomávamos o chá e ordenávamos
desde nossa destreza, os fragmentos
de bruma. "O olho, a sensação
da memória recente: tudo isso
 
como uma porcelana
ou um bambu, crescendo sob o ritmo da conversa,
nosso próprio ideograma."
 
Outro idioma: a relação, revelação
do trabalh e a forma.
A cabana no alto.
 
Nosso jogo: uma acumulação
de diferenças,
uma imagem perdida,

---------

anibal cristobo.

--------

obrigado, samia! 

5 de fevereiro de 2012

Isso não é uma resenha, tá. É só uma conversa de msn.

kawa, bata.
deixa eu colar um pedaço aqui pra ficar claro o que vou dizer.
é uma leitura muito diferente, este kawabata
por ser oriental, japones, ele meio que me pega com olhos habituados a livros ocidentais
daí estranho esse livro, o jeito como ele narra, as coisas as quais o narrador da valor, enfim.
a verdade é que acho sem graça.
te entendo muitíssimo
Mishima é o cara
baby
Eu acabo comparando com o livro que li do mishima
e ele, mishima, apesar de tbem promover esse "choque" de cultura
pq esses japoneses adoram falar de templos e costumes deles, nunca vi
vc nao leu o melhor do Mishima
eu insisto
EU SEI
só um.
O MARINHEIRO QUE PERDEU AS GRAÇAS DO MAR
ok.
nunca esqueça diss
o
ok
eu ia dizendo que o mishima ainda desce bem
apesar das peculiaridades, se aproxima do jeito ocidental de contar histórias
é
ele me lembra Lispector
pq ele faz analise psicologica dos personagens
ISSO
mas o kawabata não.
é como se ele não conhecesse por dentro os personagens
e ficasse descrevendo seus movimentos e intuindo, aqui e ali, os sentimentos deles.
não é nada introspectivo.
esse livro é todo de imagens.
ligadas à natureza, sobre tudo. ele é minucioso.,
e totalmente afeito a descrever coisas, costumes, festas, pratos
daí eu choro.
OLHA
SÓ
>
"O enrolado do yuba assemelha-se ao enrolado de enguia - que inclusive leva o mesmo nome -, mas o dessa casa consiste em bardana enrolada no yuba. o yuba-de-peonia traz sementes de ginkbo envolvidas em laminas de yuba e tem um aspecto que lembra o hirousu"
pqp
só faltou dar o tempo de preparo e quantas porções rende.
tem mto disso no livro
essas descrições de costumes e habitos japoneses, des festas, hierarquias, enfim.
isso é horrível nao?
(assim como achei excessivas os comentarios sobre templos e hierarquias religiosas no livro do mishima. Mas isso é japao, acho que aqui eu que estou errando)
SIM
e enfim
nada acontece nessa porra
E TEM MAIS CRITICAS
eu sei
japoneses são contidos
é uma cultura totalmente diferente
a forma como eles demonstram as emoções
mas mesmo sabendo
não consigo deixar de estranhar, né.
o livro conta a historia de Chieko
que foi abandonada na casa de dois comerciantes burgueses
que criaram ela com mto amor etc
um dia
ela descobre que tem uma irma gemea, meio pobrezinha
AGORA VEJA A CENA.
a chieko andava desconfiada
ja tinha vista a moça uma vez e tal
e um dia encontra ela de novo e se aproxima dela
veja como kawabata narra
duas irmas gemeas
se reencontrando pela primeira vez
[chieko se aproxima da moça. elas nunca se falaram nem se olharam de frente antes disso]
"A jovem encarava chieko como se quisesse devorá-la com o olhar. --Porque orava tanto? Perguntou Chieko. / -- Estava me observando? -a voz da garota tremia- É que queria saber o paradeiro da minha irmã mais velha... Oh!... Mas... Mas é minha irmã! Foi a graça dos deuses que nos ajudou - As lágrimas transbordavam dos olhos dela.
Não havia dúvida, tratava-se daquela jovem da aldeia dos cedros de Kytayama
"
meus olhos ocidentais acharam isso tão cafona.
extremaly!
fuck
mas enfim
devo terminar
preciso ler mais japoneses. me habituar.

21 de janeiro de 2012

Flaubert, Bierce e Oswald de Andrade: dicionários de ideias e gentes



Em muitas de suas cartas a amigos e a L. Colet, seu principal affair, o francês Gustave Flaubert menciona a ideia de criar um Dicionário de Ideias Feitas, uma enciclopédia que reunisse uma série de clichês apregoados em massa pela sociedade de seu tempo. O Dicionário foi publicado pela primeira vez em 1911, muitos anos após a morte do autor, em 1880. Foi um dos últimos trabalhos a serem concluídos por Flaubert, no entanto sua concepção é anterior a muitas de suas outras obras. A ideia de um dicionário com essa forma é mencionada pela primeira vez na Correspondência* do autor em 1850 (nessa época, por exemplo, a senhorita Bovary ainda não existia).
Em Carta de 17 de Dezembro de 1952, Flaubert apresenta alguns verbetes do futuro dicionário para Louise Colet:

"ARTISTAS: são todos desinteressados.
GALINHA: fêmea do galo
FRANÇA: precisa de mão de ferro para ser governada
(...)
NEGRAS: são mais quentes que as brancas"

Na edição que saiu em Portugal, tem-se esse divertido dístico:

MORENAS: são mais quentes que as loiras (ver loiras)
LOIRAS: são mais quentes que as morenas (ver morenas)
-----

Aparentemente, Flaubert limita-se a reproduzir chavões recorrentes nas conversas em sociedade. A intenção do dicionário era fazer com que as pessoas se dessem conta do vazio que tais expressões criam ao serem ditas. "Seria preciso que, no livro todo, não houvesse uma palavra de minha autoria, e que uma vez  lido ninguém mais ousasse falar, de medo de dizer naturalmente umas das frases lá encontradas." Mas Flaubert foi além dessa catalogação fria (frieza que é demonstração de grande sarcasmo, obviamente), ampliando alguns verbetes, a ponto de transformá-los em conceitos, incluindo às vezes uma certa opinião (o que contraria a ideia inicial de não incluir nenhuma palavra de autoria sua).
Por exemplo, no verbete ALGODÃO, tem-se: "é sobretudo útil para os ouvidos"

Dessa forma, podemos associar tal obra com outro famoso dicionário, o de Ambrose Bierce que, veja só, também foi publicado (em livro) em 1911, embora a ideia também tenha nascido vários anos antes, com o aparecimento de alguns verbetes em colunas para as quais Bierce escrevia. "O dicionário do diabo" (em inglês saiu como The Cynic's Word Book") é um livro totalmente satírico, com uma proposta diferente do livro de Flaubert. Nesse caso, a intenção única é fazer chacota de costumes, tipos de pessoas, empregos, qualquer coisa. 


Uns exemplos:


ALONE: In bad company
BRUTE: See HUSBAND
HISTORY: An account mostly false, of events mostly unimportant, whice are bought about by rules mostly knaves, and soldiers mostly fools.


-----


A literatura brasileira também tem o seu dicionário satírico, que é fruto de um dos mais polêmicos autores: Oswald de Andrade. "Dicionário de Bolso", obra do espólio, foi composto provavelmente na década de 30, mas apenas saiu em 1990, com a reedição das obras completas do autor. Nele, toda a mordacidade de Oswald está concentrada em pequenos verbetes nos quais apresenta descrições/definições de inúmeras personagens históricas/ficcionais. Como era de se esperar, sobram trocadilhos e piadas de humor negro.


ADÃO: Primeiro marido de Eva
JOB: Judeu sem dinheiro.
LUTERO: Papão dos papas.
EINSTEN: passa-tempo perdido no espaço-tempo
MARX: Esquina da História


É um dicionário original, que dialoga com aqueles dois (e mais Voltaire e Strindberg, também autores de famosos "dicionários"), mas apresenta características muito particulares, que dão à obra um lugar assegurado entre os mais interessantes dicionários literários. Costumo dizer que o pior e o melhor de Oswald estãonesse livro. Se por um lado, é exemplo da brilhante mordacidade e ironia que Oswald imprimia em suas obras, sempre contestando os costumes de sua época e, mais do que isso, promovendo uma revisitação crítica da história do país e do mundo; de outro, o livro possui algumas partes, alguns verbetes, que envelheceram. E a boa literatura não envelhece. Lógico, a partir do momento que trabalha com personagens e fatos históricos,  o autor corre o risco de ver sua obra envelhecer com rapidez. Ao mesmo tempo que criou verbetes para fíguras bíblicas, grandes estadistas ou famosos escritores, Oswald também destilou verbetes sobre pequenas figuras da sociedade paulistana. Estes verbetes, sim, envelheceram, e se tornam quase ilegíveis aos leitores atuais. Outro problema dessa edição são as críticas aos escritores Mário de Andrade e Guilherme de Almeida. Oswald viveu com ambos relações conflituosas, de amor e ódio. Na época da produção dessas notas, tais relações não andavam muito boas, pois os dois verbetes tem conotação negativa. O leitor não pode, entretanto, esquecer que tais verbetes são reflexos do momento que Oswald vivia então, de forma que eles não podem ser considerados como "palavra final" acerca dos dois amigos. 
Outro problema na obra, que também está ligada à sua data de produção (pelo menos ao momento principal de sua produção, já que, sabe-se, os verbetes foram sendo editados ao longo de alguns anos), são os verbetes pró-Luis Carlos Prestes e pró-Partido Comunista. Nessa época, Oswald militava arduamente no Partido Comunista e isso refletiu-se nas suas obras (especialmente nas peças, como O homem e o Cavalo, ou nos textos saídos no jornal O homem do Povo). Mais tarde, decepcionado, Oswald abandonaria todo esse furor comunista, mas a marca desse tempo ficou impressa em algumas dessas obras. Uma marca envelhecida, diga-se. Suas melhores obras, as que ficaram, são aquelas produzidas quando Oswald estava livre do engajamento político. A verdade é que todos os verbetes estão ligados à situação política de Oswald, pois todos representam seu ódio pela classe burguesa (embora ele tenha sido um burguês, teoricamente, à medida que viveu por muito tempo da herança de terrenos e títulos vindos do pai). No entanto, alguns verbetes são "exageradamente engajados", e O Oswald mordaz e irônico, que é o melhor Oswald, dá lugar a outro falastrão e socialmente engajado:


PROLETÁRIO: É quem aluga diariamente os seus braços para poder comer mal e dormir pior. (...) É quem se revolta afinal e desencadeia no mundo a revolução que o fará coveiro e herdeiro da burguesia.

Eliminados os verbetes passadistas e a politicagem rasa, ainda sobram bastantes verbetes para serem apreciados (embora eu pense que talvez o maior prazer da obra esteja em avaliar sua estrutura, ímpar em nossa literatura, do que curtir os verbetes em si), nesse que é o dicionário do diabo brasileiro:


"CABRAL: O culpado de tudo"
-------------


* A edição que utilizei na citação das cartas de Flaubert foi "Cartas Exemplares", organizada e traduzida por Duda Machado. Editora Imago, 1993

19 de janeiro de 2012

18 de janeiro de 2012

CÉUS, não me aguento mais colando coisas dos outros aqui, ok?

mas isso aqui é fantástico:


“Eu costumo me perguntar o que faz uma história funcionar, e o que faz ela se sustentar como uma história, e tomei como resposta a de que é provavelmente uma ação, algum gesto de um personagem que é diferente de qualquer outro na história, aquele que indica onde o real coração da história está. Ele deveria ser uma ação ou gesto totalmente correto e totalmente inesperado; dentro do personagem e além do personagem; sugerindo o mundo e a eternidade. A ação ou gesto da qual estou falando teria de estar no nível de arrebatamento, ou seja, no nível em que tem a ver com a vida Divina e nossa participação nela. Deveria ser um gesto que transcenda qualquer alegoria evidente que tenha sido planejada ou qualquer moral conveniente que o leitor possa fazer. Seria um gesto que de alguma forma fizesse contato com o mistério.”

Flannery O'Connor em Mystery and Manners: Occasional Prose.


Fonte: foda-se a fonte.

C. S. Lewis fala sobre ser adulto (e ser criança) na medida certa.

preciso aprender a ser mais seletivo. não querer abarcar tudo, ler tudo, guardar tudo.
maaaaaaaaaaaaas, enquanto não aprendo isso, colo aqui dois trechos de um ensaio de C. S. Lewis que achei excepcionais. esse ensaio está ao fim do volume único das crônicas de nárnia (editora martins fontes?)

(via enzo potel)



"Os críticos para quem a palavra adulto é um termo de aplauso, e não um simples adjetivo descritivo, não são nem podem ser adultos. Preocupar-se em ser adulto ou não, admirar o adulto por ser adulto, corar de vergonha diante da insinuação de que se é infantil: esses são sinais característicos da infância e da adolescência. E, na infância e na adolescência, quando moderados, são sintomas saudáveis. É natural que as coisas novas queiram crescer. Porém, quando se mantém na meia-idade ou mesmo na juventude, essa preocupação em "ser adulto" é um sinal inequívoco de retardamento mental. Quando tinha dez anos, eu lia contos de fadas escondido e ficava envergonhado quando me pilhavam. Hoje em dia, com cinquenta anos, leio-os abertamente. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino, inclusive o medo de ser infantil e o desejo de ser muito adulto.

2. A visão moderna, a meu ver, envolve uma falsa concepção do crescimento. Somos acusados de retardamento porque não perdemos um gosto que tínhamos na infância. Mas, na verdade, o retardamento consiste não em recusar-se a perder as coisas antigas, mas sim em não aceitar coisas novas. Hoje gosto de vinho branco alemão, coisa de que tenho certeza de que não gostaria quando criança; mas não deixei de gostar de limonada. Chamo esse processo de crescimento ou desenvolvimento, porque ele me enriqueceu: se antes eu tinha um único prazer, agora tenho dois. Porém, se eu tivesse de perder o gosto por limonada para adquirir o gosto pelo vinho, isso não seria crescimento, mas simples mudança. Hoje em dia, já não gosto somente de contos de fadas, mas também de Tolstoi, Jane Austen e Trollope, e chamo isso de crescimento; se tivesse precisado deixar de lado os contos de fadas para apreciar os romancistas, não diria que cresci, mas que mudei. Uma árvore cresce porque ganha novos anéis; já um trem não cresce quando deixa para trás uma estação e ruma para a seguinte, esbaforido."

15 de janeiro de 2012

Pedro Kilkerry + Augusto de Campos + Cid Campos + Augusto de Campos


Lindeza:


 Adriana Calchantoto e Augusto de Campos interpretam um poema de Pedro Kilkerry
 (poeta esquecido!) 

trecho de uma carta de Flaubert

endereçada ao amigo Alfred Le Poittevin. Carta de Maio de 1945, quando Flaubert contava 23 anos.

"Procuro passar o tempo da maneira menos tediosa, e achei como. Faça como eu: rompa com o exterior, viva como um urso - um urso branco - deixe que tudo se dane, tudo e você junto, mas não sua inteligência. Existe agora um intervalo tão nítido entre o que sou e o resto do mundo, que me espanto às vezes de ouvir dizer as coisas mais naturais e mais simples. A palavra mais banal me deixa às vezes em singular admiração. Há gestos, sons de vozes dos quais não me recupero, e tolices que me dão vertigens. Você já escutou alguma vez atentamente as pessoas falando numa língua estrangeira que você não entendia? Comigo é assim. à força de querer compreender tudo, tudo me faz sonhar. Parece-me no entanto que essa estupefação não é estupidez. O burguês, por exemplo, é para mim qualquer coisa de infinito. Você não pode imaginar o que o apavorante desastre de Monville me causou. Para que uma coisa seja interessante, basta olhá-la durante muito tempo."


tradução de Duda Machado.
"Cartas Exemplares", Editora Imago.


---------


Morri de paixão.

10 de janeiro de 2012

um poema de e.e.cummings

amo o verso final>


somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully ,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands
Não me peça isso,
é muito perigoso abrir os braços a essa hora da noite
Há muita gente sozinha lá fora, revirando corações de lata
e não é seguro te dizer o que penso nessa hora
sem ritmo ou água

Se insistir, terá de vasculhar nesse quarto
algum canto que possa chamar de longe,
um ponto do qual possa me olhar com vertigem e dúvida nos olhos
e que haja um vácuo entre nós
onde chovam tâmaras
secas de tanto concebidas

Este quarto sempre foi um mundo 'a parte,
e todas as vezes em que você bateu delicadamente na porta
entrou como um alienígena
um monstro na ponta dos pés
a devorar toda a antítese e todo o pão
até que enfim restassem,
dois corpos dispostos na cama
a ouvir um outro mundo se erguer do outro lado da vidraça
todo som e calor,
um mundo que nasceu agora e,
debochado,
já traz uma historia e uma enciclopédia consigo,

pois não me peça isso,
deixa as tuas historias na porta como se fossem sandálias sujas,

este é um outro quarto,
e sempre só houve ele,
e no futuro,
ao saíres pela porta,
habitarás outro mundo único,
e este hoje não terá nenhum valor na nova terra,
estes braços, um quarto que não se abre enquanto não
atira tua sandália ao deserto faminto

estes braços, tuas mãos, essa vidraça,
elementos provisórios dessa noite
cada vez mais extensa,
mais uma serpente absurda a brotar
dentro da mais noturna das tâmaras
a suspender
esse quarto câmara-clara,
que não se sabe quanto de febre e noite
e chora com braços encruzilhados

entra, deite-se,
e não me peça isso
não vou ler os sonhos das ultimas noites
não porei sal nas tuas chagas,
é muito perigoso abrir os braços nesse momento
essa hora sem ritmo ou água.

8 de janeiro de 2012

4 de janeiro de 2012

uns versos de emily dickinson

The only new I know
Is bulletins all day
From Immortality.

As únicas notícias que tenho
São boletins o dia todo
Da Imortalidade


Mon Dieu. Emily vivia numa região erma (Amherst é o nome da localidade, não sei em que estado, E.U.A). Em suas cartas, refere-se sempre a seu cachorro, a seus passeios pelo campo, a uma castanheira pela qual se apaixonou. E é isso. Vivia reclusa, com poucos contatos. Daí a entrega total a seu novo amigo, o político e escritor Thomas W. Higginson, para quem a poetisa escreve a primeira carta em 16 de Abril de 1862. Manda versos e pede uma avaliação de Thomas, nome reputado na época. Dickinson gostava de seus artigos.
Essa amizade é contada de forma breve em "Algumas Cartas", livro que li com grande prazer. Porque se percebe que dickinson era poeta por inteiro. suas cartas não se dissociam de seus poemas, uma coisa só.
melhor que tentar dizer, é mostrar. o começo de uma.

"Caro Amigo - Uma carta sempre me dá a sensação de imortalidade, porque é a mente sozinha sem o amigo corpóreo"


E é engraçado (não é engraçado) você ler os versos ali acima, fechar o livro e dar de cara com milhões de boletins mortos. A saber: placas de carro, de ônibus, escritos em camisetas, outdoors, etcéteras, e toda essa tralha que infesta os olhos.

Fonte: Algumas Cartas: Cartas de Emily Dickinson a Thomas Wentworth Higginson. Editora Noa Noa, 1983. Tradução de Rosaura Eichenberg.

amei isso

“Agora devo falar um pouco sobre o modo como isso acontece. Eu não quero que você pense que aquela história eu sentei e disse, “Eu vou agora escrever a história de uma Ph.D. com uma perna de pau, usando a perna de pau como um símbolo para um outro tipo de sofrimento.” Eu me pergunto se muitos escritores sabem o que vão fazer quando começam algo. Quando eu comecei a escrever aquela história eu não sabia que haveria uma Ph.D. com uma perna de pau. Eu meramente me encontrei de manhã escrevendo uma descrição de duas mulheres sobre quem eu sabia algo, e antes que eu percebesse, eu equipei uma delas com uma filha com a perna de pau. Com o desenrolar da história eu trouxe o vendedor de Bíblias, mas eu não tinha ideia do que iria fazer com ele. Eu não sabia que ele iria fazer o que fez até dez ou vinte linhas antes que ele o fizesse, mas quando eu descobri que era isso que estava para acontecer, percebi que era inevitável. Essa é uma história que produz um choque para o leitor, e eu acho que uma das razões para isso é que produz também um choque para o escritor.
Agora, além do fato de que a história surgiu dessa forma aparentemente irracional, é que essa história praticamente não teve qualquer parte reescrita. É uma história que estava com total controle sobre sua própria escrita, e talvez você me pergunte como esse controle vem, a partir do momento que não é inteiramente consciente.
Eu acredito que a resposta para isso é o que Maritain chama de “o hábito da arte”. É fato que escrita de ficção é algo em que toda a personalidade toma parte – a consciente tanto quanto a mente inconsciente. Arte é o hábito do artista; e hábitos tem de criar raízes profundas na personalidade. Eles têm de ser cultivados como qualquer outro hábito, dentro de um longo período de tempo, de experiência."

Flannery O´Connor
trecho de Writing Short Stories (Mistery and Manners).


2 de janeiro de 2012

um poema de Jose' luis peixoto

Devagar, 
o tempo transforma tudo em tempo. 
O ódio transforma-se em tempo. 
O amor transforma-se em tempo. 
A dor transforma-se em tempo. 
Os assuntos que julgamos mais 
profundos, mais impossíveis, 
mais permanentes e imutáveis, 
transformam-se devagar em tempo. 
Mas, por si só, o tempo não é nada, 
a idade não é nada, a eternidade não existe.

*
José Luís Peixoto e' um poeta e romancista português.

- via enzo potel.

17 de dezembro de 2011

amo muito tudo isso

There was and old man of Khartoum
 Who kept two tame sheep in his room,
 To remind him, he said
 Of two friends who were dead
 But he could not remember of whom

-- William Ralph Inge

15 de dezembro de 2011

nenhuma vontade de escrever

11 de dezembro de 2011

esse blog se chama bibliófilo pobre, pq de fato o sou, mas a bibliofilia e' coisa de que menos trato aqui. a bibliofilia e' um exercício do ego, solitário e egoísta, e faz pouco sentido um apaixonado por ter os livros, o livro físico, falar sobre sua paixão, salvo se estiver entre seus pares, cada com seu nariz e sua poeira.

9 de dezembro de 2011

Edward Lear

There was an Old Man of Whitehaven,
Who danced a quadrille with a raven;
But they said, 'It's absurd
To encourage this bird!'
So they smashed that Old Man of Whitehaven.

23 de outubro de 2011

um poema de patrícia hoffmann

Quebro ampulhetas.

Aviso às borboletas:
cuidado ao voar

Há areia na vida,
cacos de vidro no ar.

16 de outubro de 2011

vai, risca um fósforo
na minha boca
a ver se foi la'
o teu naufrágio

vai, alma

se encharca com esses versos de wallace stevens>

Today the air is clear of everything.
It has no knowledge except of nothingness
And it flows over us without meanings,
As if none of us had ever been here before
And are not now: in this shallow spectacle,
This invisible activity, this sense.

12 de outubro de 2011

ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o 

ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o  

ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo problema ritmo é o    
ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo

ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problemaproblema ritmo é o  
ritmo é o problema ritmo é o problema ritmo é o problem
que susto,
a tua fala e' mais que teu corpo

como se seguisse facas nao lancadas,
espreito cada prisma,
busco os risos apertados
e adio a hora da carne,
do gozo e seu revés
me diz,
isso não te dói? 

11 de outubro de 2011

entre as duas falas,
impera a lei da
gravidade
grávidos de outros
mundos permutamos
as claves dessa noite

cada fato, um agudo
uma taca oscilante
num cair inexato
de chuva arrebolada

quem me dera, enxurrrada, a alegria dos que morrem pela boca

8 de outubro de 2011

o twitter e' o nascedouro de varias modas linguísticas muito curiosas

eu adoro isso aqui, essa afirmação-questão. acho ridiculamente transgressor

porra eu acordei e tavam cantando parabéns aqui achei que fosse por eu ter levantado da cama mas não era?

@
BALZAC 20 mg.

5 de outubro de 2011

(picasso, "os dois saltimbancos")

se a gente subisse na mesa,
somasse a pedra da fala
com o duro da tábua

se a gente desse um outro nome
 para essa noite

ficaria a mesa
menos vazia?

1 de outubro de 2011

estive lendo algumas vezes "snows of kilimanjaro", do hemingway, e agora me dei conta do quão limitada, circunscrita e' sua prosa. os protagonistas de hemingway, não todos, mas os principais> harry, santiago, ou aquele de "the sun also rises", cujo nome me foge, irmanam-se, como se múltiplas de uma unica pessoa, que e' o próprio hemingway, atormentado homem. todas as faces incomodadas com a frivolidade da vida > aqui deve-se excluir santiago?> frivolidade que a guerra parece enaltecer, mas que e' próprio do homem. todos angustiados pelo tempo perdido, mas -desiludidos- não buscam nada. reiterar, recuperar o tempo perdido? raro. Harry chega a tentar, acompanhado Helen a um safári, mas logo cai por terra. Um espinho o tira a vida, desmancha sua ideia de retorno ao tempo, 'a velha forma, algo que nitidamente seria impossível. Um espinho em um arbusto.
e' limitado, muito limitado, todavia isso não o torna repetitivo. o que ha entao de radical em hemingway, que o faz tao forte em sua limitação? A linguagem, concisa e seca, bruta como o interior de seus personagens? A simbologia de sua obra, os contos dentro dos contos? alguns falam na sinceridade da sua escrita, no fato de ele se fazer escrita, ampliar sobre diversos modos, seu modo cínico  de ver a vida. isso, aliada ao manejo perfeito dos elementos narrativos, seria a grande explicacao para sua obra tao simples e interessante. nao sei, acho isso muito redutor, mas aceito. e me sinto ta'o ignorante. 
ainda ha tempo para ler purple land? 

vdd

RT @malvados o pum colorido combateria uma das formas mais antigas de hipocrisia

27 de setembro de 2011

poema de Rubens da Cunha


El perro

I
a casa cercada por cachorros

por dentro
un perro se remorde

remorso ancestre

dos tempos em que
as quatro patas
sabiam a terra

sabiam os pelos da barriga,
do sexo, das costas.

II
a casa cerrada para os cachorros

à porta,
olham para o bípede
ladram ao traidor

el perro se ressente
senta-se no sofá
e escreve um poema elevado

homem que é

24 de setembro de 2011

eu nao
fosso

pazer nada, honey
ou sera que eu
tenho esse foder?

carlito azevedo, via facebook dele.

* Um dia ainda gostaria de refletir um pouco sobre essa espécie muito única de idiotia que nos toma diante de uma prateleira de sebo e que é capaz de nos fazer dispensar certos livros incríveis, a preço ótimo, e cuja falta só começa a nos doer quando chegamos em casa. Muita noite de insônia já passei torcendo para que o dia seguinte chegasse logo, pra o trânsito estar bom, para a loja já estar aberta, para ninguém ter reparado naquele livro ali. Quase sempre o livro não se encontrava mais por lá. Um pouco dessa idiotia, suponho, vem do fato de uma boa estante de sebo transmitir contínua e subliminarmente para o seu cérebro a informação de que nada é impossível, nada se perde

18 de setembro de 2011

Limericando

Começo a deter-me no estudo dos limericks, um dos gêneros poéticos que pretendo usar no meu projeto de estágio ano que vem. é um gênero de poesia humorística típico da cultura inglesa. poemas de cinco versos, com um esquema de rimas fixo (A/A/B/B/A), cujo conteúdo era geralmente obsceno ou satiresco, e que é uma expressão do nonsense, algo que adoro.

para dar uma aquecida, um limerique da tatiana belinky, que é a autora que mais cultiva esse gênero por aqui. É preciso observar que aqui no Brasil - e noutros países também - o limerick tornou-se, quase que totalmente, um gênero para crianças, sendo que sua origem está na 'cultura adulta' inglesa, como velhas anedotas obscenas.

ei-lo:

A vaca que botou um ovo
Deu grande alegria ao povo
Mas certo petiz
Torceu o nariz
Dizendo - Isto não é novo!

(do livro "Um caldeirão de poemas", organizado por tatiana belinky. Ed. Companhia das Letrinhas)

Como é um gênero pelo qual nutro grande simpatia, espero trazer bastantes limeriques nos próximos posts.
se alguém tiver alguma referência sobre o tema limerique, ou nonsense, será muito bem-vinda.
tenho algumas questões centrais a discutir, mas, por ora, apenas pergunto:
vocês gostam do que é nonsense?

17 de setembro de 2011

Ansiedade Lanches

ela não espera.
quem insiste em abrir a noite
na página 19,5?
não espera: fazes da fila tua diversão
uma motocicleta disparada contra as costas, um cheiro de óleo,
o hangar do futuro, onde se guardam verdes frutas, foi incendiado.

quem foi?
quem encheu o copo da noite,
se ainda não passamos da porta da sala?

cresce na rua vazia um bar que embota os olhos,
cinema particular que se inaugura três vezes por dia, como um cigarro,
velha anedota
difícil de se recordar

é o dna da obsessão: horas e horas
de inter
mináveis creditos
um gesto de peixe atirado à lama
ou
um constante canto
para ninar adultos
em sua faminta
espera

11 de setembro de 2011

retiro o que disse
e então duas dores ali aparecem
insetos nus, um par de fetos na lama
a palavra, uma pedra

pois coma:
as mágoas
fazem bem aos olhos
caída e fria na tarde rarefeita
a xícara exibe seu fosso nu,

falta-lhe a forma suspensa,
o não ser tambor, vidro, desespero
ser um objeto vivo, como
são essas paredes

hermético só o breve instante
por isso abra a porta
esqueça o café
e olha teu gozo:
isso que agora escapa é
tudo o que temos

,

8 de setembro de 2011

OK, OK. Chega de postar textos dosoutros aqui, né? Cabá com essa palhaçada.

achei por acaso na net:

O BIBLIÓFILO

Ó ambições!... Como eu quisera ser
Um pobre bibliófilo parado
Sobre o eterno fólio desdobrado
E sem mais na consciência de viver.


Podia a primavera enverdecer
E eu sempre sobre o livro recurvado
Sorriria a um arcaico pecado
A uma medieval moça e qualquer.


A vida não perdia nem ganhava
Nada por mim, nenhum gesto meu dava
Um gesto mais ao seu profundo
E eu lia, a testa contra a luz acesa.
Sem nada querer ser como a beleza
E sem nada ter sido como o mundo

Álvaro de Campos (f. pessoa)

7 de setembro de 2011

esta alma, que sedenta em si não coube,

bocage

4 de setembro de 2011

"COM A MÃO CHEIA DE HORAS, assim tu me
[vieste - e eu disse:
o teu cabelo não é castanho.
Fácil o puseste na balança da dor: era bem
[mais pesado que eu...
Eles chegam de navio e o carregam, eles põem
[o teu cabelo à venda nos mercados
[do prazer -
Tu me sorris bem lá no fundo, e eu choro para
[ti da concha leve da balança.
Choro: o teu cabelo não é castanho, eles
[oferendam essa água do mar, e tu lhes
[dás os cachos dos cabelos...
Murmuras: já preenchem o mundo comigo e,
[para ti, eu sou apenas uma
[passagem no peito:
Dizes: assume a folhagem dos anos - já é
[tempo de te aproximares e me beijares!
A folhagem dos anos é castanha, mas o teu
[cabelo não."

Paul Celan
Tradução: Flávio R. Kothe

30 de julho de 2011

cartas

"A correspondência em si mesma já é uma forma de utopia. Escrever uma carta é mandar uma mensagem para o futuro; falar a partir do presente com um destinatário que não se encontra ali, que não se sabe como estará (em que estado de espírito, com quem) enquanto lhe escrevemos e, principalmente, depois: ao ler-nos. A correspondência é a forma utópica da conversa, porque anula o presente e faz do futuro o único lugar possível do diálogo". 

(Ricardo Piglia, “Respiração Artificial”)
 
---
 
catei a citação lá do blog do ítalo, o um-sentir

solidão, solidão.
a protagonista em constante movimento, encontrando-se com desconhecidos ou não,
compromissos marcados ou surgidos ao acaso. mas todos têm em comum a aura de solidão, como se o filme dissesse, estamos todos aqui, nos encontrando, mas estamos sempre sozinhos. a solidão está também na própria escolha dos cenários, muitas vezes abertos, dando a impressão de vazio. Nunca há um ambiente com muitas pessoas. Nos trens e nas próprias estações, há pessoas, mas muito poucas. Não há cenas de rua. Não há aglomerações. e há muito a solidão dos hotéis. o filme é bem lento, mas bonito, e mui bonita é esta aurore clemént. a última cena é linda (e triste) demais.


(OBS: comentário sobre filmes começarão a aparecer aqui, até que o filmow, essa defeituosa rede social para cinéfilos passe a permitir que resenhas e comentários sejam salvos e guardados. Sim, porque sou dessas pessoas que gostam de guardar tudo, qualquer nota ou espirro sobre um livro ou filme, acho que há um pouco de neurose nisso, não sei, um abraço)


29 de julho de 2011

As pessoas se empolgam e acham incríveis certas coisas e seus amigos, vizinhos de existir, não veem a graça, a beleza, que tédio, não entendem, pois elas se empolgam e acham incríveis outras coisas, bem diferentes, e assim sucessivamente, todos amigos e nenhum entendimento; é isso que move o mundo, gosto de pensar, essa nossa mania de ciclos

26 de julho de 2011

fuck

"My kids will have computers, of course, but they will have Kindles first"
Bill  Gates
eu quero um Lewis Carroll na minha vida

20 de julho de 2011

revolva-se, clarice. revolva-se.

(impressão minha ou é uma universidade?)

O ÁPICE DOS TEXTOS FALSOS
VIVA A INTERNET.

9 de julho de 2011

às vezes, paro de frente a uma palavra e me espanto bobamente. cor de rosa.
cor de rosa. é como se, por indefinido intervalo, eu tivesse esquecido o que há por trás do nome.
cor de rosa.
dar um F5 nos sonhos,
antes um trem a rasgar as campos da infância
and now we have a big wave of
placas
e sobram estradas
bueiros
não há mais volta
os passageiros apenas vem
e agora entre um looping e outro
a gente ri dos trens
chamam isso de montanha russa
eu não sei
onde estão os campos
se somos outrens

organização é tudo




até o fim do ano devo lançar meu futuro best-seller
 "como organizar sua biblioteca"

6 de julho de 2011

(reinaldo moraes falando sobre a flip 2010)

"De qualquer forma, sempre volta a pergunta: o que isso tudo tem a ver com literatura? A resposta, bem ao estilo tucano-uspiano, bem podia ser: e o que é que não tem a ver com literatura? De fato, tudo parece caber nesse generoso saco de gatos. Literatura é como as igrejas de antigamente, que viviam de portas abertas e abrigavam todo tipo de gente, das altas e prósperas figuras, a bêbados, miseráveis, loucos e assassinos, sem falar na cachorrada que sempre aparecia para farejar incenso e, eventualmente, morder a canela das beatas."

o post completo (bem grandim, aliás) está aqui
a julgar pelos tweets ( @raqcozer , @flip_se , @ProsaEVerso ), a fala do Antonio Candido sobre oswald na flip foi linda.
vou fingir que estive lá.

3 de julho de 2011

na última vez que vi Ruim, o poeta, ele estava
sentado na rua repetindo
me dá um trocadilho, me dá um trocadilho

2 de julho de 2011

a literatura e seus mistérios

Ontem à tarde, no trabalho, me peguei pensando em "morte em veneza",do thomas mann.
e não sei por quê. Li essa pequena novela há uns meses e na época achei um livro perfeito, mas não considerei-o um livro favorito.
Mas de alguma forma a história do Gustav Aschenbach ,um escritor atormentado, que se apaixona platonicamente pela beleza de um garoto, e que morre ao fim do livro, mexeu muito comigo. Se não tivesse mexido, não viria me assombrar numa tarde de sexta no meio do trabalho. E agora, depois de um sonho que se sonha acordado, fico tentando achar o porquê, algum sentido subliminar. se é que existe.