30 de julho de 2009

Leia-me

se requereres um xingamento, eu direi com voz tranquila:
Puta
Se ordenares uma lição do mundo, uma receita mágica, um verso que já nasça canônico:
Darei o verso, a receita e a lição
e tudo será palavras sobre
palavras
e tudo será um castelo de palavras
facilmente destrutível pelo vento
que toma posse do silêncio

Agora,
se me pedires com a tua outra voz
voz embargada, que sobe num tremor pela garganta
e se me perguntares com teus outros olhos

o meu nome (tenho fome!)
que horas são - (por que se fazem?)
ou se chove - (o que cabe nela?)
ou a razão das palavras terem verso e reverso
avesso e casca - (ilusão de tua boca?)

Se me pedires assim,
não importa o que eu diga
que disparate, que bobagem

a palavra que sair,
Inflamará
pois tu estarás me ofecendo
um gole denso de poesia

E se eu ousar, e se eu recusar
e se eu me calar (e - saiba - vou me calar, se vieres a até mim)

Então, será breve fagulha
Corpo-fogo
será
o meu morrer de poesia

sob os teu olhos

7 comentários:

Robson disse...

e não restará palavra sobre palavra... muito bom mesmo!

Eduardo Silveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jessica disse...

Adorei. =) Só discordo pelo fato de que, para mim, castelos de palavras são indestrutíveis. A palavra é dita, e dita para sempre. :D

Eduardo Silveira disse...

Oi, Jéssica! Fico muito feliz com a visita. Mais ainda por ter vc ter deixado sua opinião sincera. Pois é... reconheço que é uma visão desencantada. Mas sei lá...penso que não basta lançar as palavras no ar, para torná-las fortes. Posso muito bem construir uma linda mensagem, um castelo de palavras, e no entanto, não dizer nada.
Posso dizer a alguém (tomemos vc como exemplo, ou então meu colega Juliano... haha) "Eu te amo. Todo meu sentido está em ti. És meu verbo. Sem você sou ausência: Sombra perdida."

Bem, isso é um castelo de palavras...uma falatório que não diz nada, por que não é sincero. Por que posso falar isso sem qualquer sentimento. Posso falar que não sentirei um tremor vindo da garganta...hehe

Bem...mais uma vez, obrigada pela visita...me fez revisitar um texto meu e repensar um pouco...

Agradeço muito também a sua visita, Róbson

Abraço a todos.

Jumbriano disse...

Oi Eduardo. Primeiramente, espero que voce acredite que "Amigos também dizem eu te amo" heheheh

Segundamente, parabéns pelo texto. Também tenho uma queda (leia-se tombo) por textos pessimistas. Pessimista sim, derrotista não! E sobre a indestrutibilidade da palavra, concordo com a Jéssica. Palavras empilhadas são castelos indestrutíveis (vou colocar no meu msn hahahah). O fato é que esse castelo indestrutível pode acabar sendo um peso destinado a ficar sobre os ombros de quem fala ou escuta!

Eduardo Silveira disse...

=D

Í.ta** disse...

belos versos, cara!
parabéns.